Lira Romantiquinha

(Carlos Drummond de Andrade)

Por que me trancas
o rosto e o riso
e assim me arrancas
do paraíso? Leia o resto deste artigo »

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Flores…

“Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!”

 – Machado de Assis

 

Inspirada na sugestão de um amigo, de criar um post sobre rosas, me ocorreu a ideia desse texto. Já faz um tempo, que em todo lugar que visito, dou uma atenção especial às flores, sempre trago fotografadas as mais belas que encontro.  Acredito que elas nos mostram o lado mais sutil da natureza do lugar visitado…

Flores da Serra Gaúcha

Flores da Serra Gaúcha

Em Gramado – RS, tudo são flores! Tem flor de todo jeito, pra todo lado. Mas o símbolo da cidade são as hortências, todas praças, ruas, avenidas, espaços públicos são adornados com o azul dessas flores… vale a pena ver! Mas o que mais me agradou foram os “amores-prefeitos”! Uma de minhas flores preferidas, e raríssimas em Minas… fotografei todas que vi por lá…

Flores da Serra do Cipó

Flores da Serra do Cipó

 
A Serra do Cipó – MG é famosa por muitos atrativos, um deles é a diversidade de fauna e flora. O cerrado é riquíssimo em espécies de flores, e arbustos, e nesse lugar em especial há um fenômeno muito interessante: espécies endêmicas… não existem em nenhum outro lugar do mundo! Adentrando-se ao parque passamos por sucessivos campos de flores, de várias cores, é maravilhoso! Uma planta típica da região é a “Pepalantus”, eu tive oportunidade de fotografar uma em 2000:

Pepalantus - Lapinha de Santana

Pepalantus - Lapinha de Santana

Mas a planta mais impressionante que vi, foi no meu bairro mesmo… um Ipê amarelo, gigantesco, que parecia mais um enorme buquê! Esse também eu tive oportunidade de retratar, em 2006:

Ipê Amarelo

Ipê Amarelo

As pessoas atribuem significados a cada tipo de flor, eu não nego que um simbolismo foi criado ao redor de várias delas, como o Lírio, que há muito tempo é simbolo da pureza. Algumas ficaram até mesmo estigmatizadas pelo seu uso, como o “cravo de defunto”, outras são imponentes e já despertam com sua imagem emoções semelhantes em todos, como o Girassol que sempre alegra o ambiente.

Mas em geral, eu não me ligo tanto aos significados… acho que cada ser humano, com sua história, com sua própria colcha de retalhos, vai construindo sua sensibilidade, e é tocado – sem ao menos saber o porquê – por imagens, cheiros, sons diferentes. Com as flores é assim também, cada um tem sua preferência. É claro que as rosas são quase unanimidade, são as flores mais cultivadas e apreciadas… são as mais utilizadas como presente. Por isso merecem um destaque especial.

Rosa amarela - por Cleide Sousa

Rosa amarela - por Cleide Sousa

 Estima-se que a primeira rosa tenha nascido na Antiguidade, nos jardins asiáticos, mas a espécie selvagem foi encontrada em fósseis que datam de cerca de 35 milhões de anos atrás.

Rosa lilás

Rosa lilás

Do gênero Rosa, com centenas de espécies, pertence à família das rosáceas e se apresenta sob numerosas variedades com grande distribuição geográfica. Nascem em arbustos, ou trepadeiras, com hastes espinhosas.

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Os espinhos das rosas, não são espinhos verdadeiros, são acúleos, uma modificação no caule que facilmente é destacada do mesmo. Sua função é a proteção das flores – órgãos reprodutores da planta.

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As rosas e outras flores sempre inspiraram os artistas, poetas, músicos e pessoas comuns… para mim muitas vezes as flores são um lembrete da delicadeza artística de Deus, que pensou em cada detalhe… o acaso não inventaria tanta ordem e perfeição. Então, as flores só podem ser um recado do Criador, porque muitas vezes, elas nos fazem felizes só por terem desabrochado, por enfeitarem silenciosamente nossos caminhos.

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Para encerrar, vou usar um texto muito inspirado do Padre Fábio de Melo – que coincidentemente encontrei pesquisando para esse post – como filósofo de uma sensibilidade infinita, aliada à uma generosa simplicidade, soube muito bem falar do tema em questão…

Rosas vermelhas - por Cleide Sousa

Rosas vermelhas - por Cleide Sousa

“SOBRE O AMOR, ROSAS E ESPINHOS…

Amor que é amor dura a vida inteira. Se não durou é porque nunca foi amor.

O amor resiste à distância, ao silêncio das separações e até às traições. Sem perdão não há amor. Diga-me quem você mais perdoou na vida, e eu então saberei dizer quem você mais amou.

O amor é equação onde prevalece a multiplicação do perdão. Você o percebe no momento em que o outro fez tudo errado, e mesmo assim você olha nos olhos dele e diz: “Mesmo fazendo tudo errado eu não sei viver sem você. Eu não posso ser nem a metade do que sou se você não estiver por perto.”

O amor nos possibilita enxergar lugares do nosso coração que sozinhos jamais poderíamos enxergar.

O poeta soube traduzir bem quando disse: “Se eu não te amasse tanto assim, talvez perdesse os sonhos dentro de mim e vivesse na escuridão. Se eu não te amasse tanto assim talvez não visse flores por onde eu vi, dentro do meu coração!”

Bonito isso. Enxergar sonhos que antes eu não saberia ver sozinho. Enxergar só porque o outro me emprestou os olhos , socorreu-me em minha cegueira. Eu possuia e não sabia. O outro me apontou, me deu a chave, me entregou a senha.

Coisas que Jesus fazia o tempo todo. Apontava jardins secretos em aparentes desertos.

Na aridez do coração de Madalena, Jesus encontrou orquídeas preciosas. Fez vê-las e chamou a atenção para a necessidade de cultivá-las.

Fico pensando que evangelizar talvez seja isso: descobrir jardins em lugares que consideramos impróprios.

Os jardineiros sabem disso. Amam as flores e por isso cuidam de cada detalhe, porque sabem que não há amor fora da experiência do cuidado. A cada dia, o jardineiro perdoa as suas roseiras. Sabe identificar que a ausência de flores não significa a morte absoluta, mas o repouso do preparo. Quem não souber viver o silêncio da preparação não terá o que florir depois…

Precisamos aprender isso. Olhar para aquele que nos magoou, e descobrir que as roseiras não dão flores fora do tempo, nem tampouco fora do cultivo.

Se não há flores, talvez seja porque ainda não tenha chegado a hora de florir. Cada roseira tem seu estatuto, suas regras…

Se não há flores, talvez seja porque até então ninguém tenha dado a atenção necessária para o cultivo daquela roseira.

A vida requer cuidado. Os amores também. Flores e espinhos são belezas que se dão juntas. Não queira uma só. Elas não sabem viver sozinhas…

Quem quiser levar a rosa para sua vida, terá que saber que com ela vão inúmeros espinhos.

Mas não se preocupe. A beleza da rosa vale o incômodo dos espinhos.”

 

 

 

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Noite de São João!

É hoje!!!!

Noite de São João por Guignard
Noite de São João por Guignard

Eu demorei a fazer esse post, desde que entrou junho eu estava querendo falar das deliciosas festas juninas…

Noite de São João - Guignard
Noite de São João – Guignard

Aqui em Minas é muito bom! Tem canjica, quentão, pipoca… quadrilha! Tudo super animado. É tão bacana, que o pintor carioca Guignard pintou vários quadros com esse tema, alguns estão ilustrando o post…  o Museu Guignard que fica em Ouro Preto, MG, promove todo ano uma festa de São João em homenagem ao pintor, com tudo que tem direito! Um dia ainda vou conferir e conto pra vocês… ah, 24 de Junho é aniversário da cidade…

Guignard
Guignard

Já perdi a conta de quantas dancei… apesar que esse ano está um pouco parado nesse aspecto.

Tarde de São João  - Guignard
Tarde de São João – Guignard

Fiz esse post para compartilhar as experiências com vocês… qual a melhor festa junina que vocês já participaram? Qual o estado que tem a festa de São João mais animada?  Você tem alguam história engraçada para compartilhar?

Mais uma obra de Guignard com o mesmo tema
Mais uma obra de Guignard com o mesmo tema
Só pra compartilhar, achei algumas imagens da infância… como era bom!
 

 

Minha primeira quadrilha! Com 5 anos...

Minha primeira quadrilha! Com 5 anos...

 

 

Com 7 anos, reparem no glamour...
Com 7 anos, reparem no glamour…
Comendo canjica, com 7 anos! Ainda me lembro do gosto...
Comendo canjica, com 7 anos! Ainda me lembro do gosto…
Aos 8 anos
Aos 8 anos
Com 10 anos

Com 10 anos

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Diamantina – A Jóia Mineira

 

Campanário da Igreja do Carmo

Campanário da Igreja do Carmo

Como todo bom estudioso de Turismo, uma das minhas paixões é colecionar viagens… mas não gosto de viagens “pasteurizadas” – aquelas com tudo programadinho e com horário contado para turistas fotografarem e fazerem compras.

Viajar de verdade é sentir o lugar: seus sons, cheiros, andar pelas ruas, conversar com as pessoas, comer os pratos típicos. Minas Gerais, o Estado onde tive a sorte de nascer, tem várias cidades deliciosas para se conhecer, com atrativos para todo gosto: da aventura ao requinte… eu não conheço o estado todo (ainda), mas já visitei muitos lugares lindos, surreais, divertidos em Minas, que como diz o slogan – são muitas.

Biribiri - a cidade fantasma mais charmosa de Minas Gerais

Biribiri - a cidade fantasma mais charmosa de Minas Gerais

Sem dúvidas, uma de minhas cidades favoritas é Diamantina, terra de Chica da Silva, de Juscelino Kubsticheck, terra da seresta, cidade boêmia, diferente das outras cidades – como Ouro Preto – erguidas em torno do poder, Diamantina era meio “terra de ninguém”, passagem de tropeiros… no centro da cidade, ao invés de algum palácio importante, está o mercado municipal.

Mercado Municipal de Diamantina

Mercado Municipal de Diamantina

Certamente vocês encontrarão informações geográficas, históricas e turísticas pra todo lado na internet, então ao invés de lhes contar datas enfadonhas, vou compartilhar minha experiência estética na cidade… Diferente da cisudez da maioria dos sites históricos, Diamantina tem um brilho, um sabor diferente.  É mesmo como se  fosse uma jóia, uma pedra preciosa incrustrada na caatinga. Paisagem seca cercada por uma montanha majestosa… de tirar o fôlego.

 

Igreja do Rosário

Igreja do Rosário

E as construções também são alegres, no centro da cidade mistura-se todo tipo de estabelecimento, de gente, de sons – não é uma cidade só de casal, ou apenas de estudantes, ou idosos, é eclética simplesmente.  As igrejas são belíssimas, destacando a do Carmo – que tem o campanário ao fundo (dizem que foi Chica da Silva que mandou mudarem porque não queria ser acordada com os badalos do sino), e a linda igreja do Rosário, construída pelos escravos – no tempo em que não estavam trabalhando para seus senhores, ou seja: revesando noite afora. Sem querer criaram um espaço com acústica perfeita, muitas apresentações de coros musicais acontecem nessa igreja.

Seresta no mercado dos tropeiros

Seresta no mercado dos tropeiros

Outra vivência adorável, é visitar a casa da Glória, aquela que tem o passadiço que é cartão postal da cidade. Hoje em dia a casa é da Universidade Federal de Minas Gerais, e há mapas raríssimos para se ver, além de pinturas e outras peças. A simples travessia já é memorável por si só.

Casa da Glória

Casa da Glória

Para arrematar, sexta feira à noite, tem seresta no mercado dos tropeiros. É surreal… durante o dia o lugar é vazio, parece abandonado. Volte de noite e encontrará um burburinho só, e uma música que ronda cidade afora, e acaba com a seresta tocando no meio do povo, alegrando as noites frescas da linda cidade.

Igreja de Biribiri

Igreja de Biribiri

 

Arredores de Biribiri

Arredores de Biribiri

Quando você pensa então, que já viu tudo que Diamantina podia te mostrar… é só sair para ver os arredores. Biribiri é uma surpresa dessas que a região guarda. Foi uma cidade erguida em torno de uma fábrica, a tal quebrou, sobrou um povoado vazio, mas que parece construido à mão… passamos a tarde por lá, sem muita vontade de voltar é bem verdade. Tudo lá convida à contemplação: as águas tépidas e douradas do riacho, o gramado verde, a linda igreja barroca… parece uma miragem. É muito especial voltar à tardinha, parar no caminho dos escravos e assistir o pôr do sol.

Pôr do Sol no caminho dos escravos

Pôr do Sol no caminho dos escravos

Por fim,  para não me alongar mais… quando for à Diamantina, dê uma boa olhada no calendário de Vesperatas, e escolha um final de semana em que aconteça uma delas. É uma experiência metafísica! Lembro-me de meu grupo ter se atrasado para descer do hotel para o quarteirão fechado assistir ao evento, e quase chegando, começamos a ouvir os sons das orquestras tocando das sacadas dos casarões. Quando finalmente chegamos, nem dá pra explicar a sensação… dá vontade de rir, de cantar, de chorar, parece que a música vai entrando em todos seus poros, pela planta dos pés… a vontade é que não acabe jamais. Eu costumo dizer aos meus amigos, que não passem a vida sem saber como é ver uma vesperata em Diamantina… e realmente, é algo que nunca se esquece! 

Vesperata

Vesperata

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