Um Amor que nunca se acaba…

Eu não queria muito ter que escrever este texto, sabia que um dia teria que escrever sobre o assunto, mas sempre que pensava nisto, tentava me distrair… deixei para me ocupar disto quando fosse o momento…

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Todo mundo que tem um animal de estimação muito querido, destes que são presentes da vida e raramente se repetem, sabe do que estou falando, e conforme meu cachorro de estimação ia ficando mais e mais velhinho, eu sabia que inevitavelmente ele partiria e eu escreveria aqui a história dele, que daria um livro dos bons, mas como não tenho notoriedade, me resta escrever no blog.

Eu sempre me perguntei, e acho que esta é uma das questões que toda humanidade se pergunta: “Por quê os cachorros vivem tão pouco tempo?” uma média de 10 – 15 anos é muito pouco para tanto amor! Me desculpem os que não gostam de animais, ou que acham exagero, mas poucas criaturas são capazes de tando desprendimento, fidelidade e amor! Eles vêm, entram na nossa vida, nos amam incondicionalmente, são felizes em tempo integral, e num piscar de olhos, partem… como um rastro de luz na história da gente.

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Assim foi o Felipe. Eu sempre tive cachorros de estimação, perdi vários na infância, tive que lidar com a perda deles, mas é um tipo de laço diferente. Eu era adolescente ainda, tinha entrado na faculdade, e desejava muito ter um cachorro, queria um poodle ou um cocker, mas as condições financeiras de minha família não me permitiam o luxo de comprar um filhote. Mas um dia, do nada, meu pai entrou em casa com um filhote de cocker de um mês, beje clarinho, e colocou nas minhas mãos… eu fiquei sem entender, ele falou que era pra mim. Eu olhei nos olhos dele, e disse: “Parece um príncipe, vai se chamar Felipe!” E Felipe foi, o príncipe dos cachorros aqui de casa.

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Posteriormente meu pai me contou que foi na casa de um tio de minha mãe, e nem sabia, mas a filha dele criava Cockers Spaniel com pedigree e tudo. E desprendidamente ela lhe entregou Felipe, e ele ficou surpreso quando ela lhe disse que era um presente. Afinal, quem dá um cachorro de raça assim do nada? Considerando isto, ficou decidido que Felipe foi um presente de Deus para os meus incansáveis pedidos.

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E como um presente de mais além, este cachorro nunca mordeu ninguém, não nos deixou sem dormir chorando sentindo falta dos pais, nunca deu um problema, nunca estragou nada, era como se tivesse nascido mesmo para viver com a gente… parecia um anjo em forma de cachorrinho. Quando filhote brincava com todos em casa, depois de adulto, cada vez mais inteligente, conhecia todo mundo: parentes, amigos, visitas, como um membro da família, conquistou completamente o coração de cada um aqui de casa. Adorava jogar bola, inventou um jeito só dele de jogar, que matava a gente de rir, cheguei a filmar uma vez…

O problema de presentes vivos, é que eles são suscetíveis aos problemas que todos seres vivos têm. E com 8 anos, muito saudável e com vacinação em dia, Felipe foi acometido por uma doença gravíssima: Cinomose. Uma infecção do sistema nervoso que mata 9 em cada 10 cachorros contaminados. Quando o primeiro veterinário nos deu o diagnóstico, ficamos de coração partido. Ele ficou muito mal… levamos para uma segunda opinião. Dr Flávio, me lembro bem, disse a mim e ao meu pai que a doença era muito grave, mas ia passar um tratamento, traríamos Felipe pra casa e se ele não reagisse em uma semana, teríamos de sacrificar. Me lembro, que considerando que Deus nos deu ele do nada, fiz uma prece e o entreguei em Suas mãos. Disse a Deus que sendo um presente, ele podia dispor dele quando quisesse, mas que se fosse possível que ele ficasse mais conosco. E milagrosamente ele reagiu em uma semana, voltamos no veterinário, ele disse que ele sobreviveria, com sequelas.

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Durante um tempo, Felipe, apesar de forte, ficou com uma leve pulsação na cabeça e espasmos. Se esqueceu também de umas brincadeiras, e tinha dificuldade com degraus. Mas o amor é uma coisa estranha e mágica, meu pai o incentivava todo dia a pegar a bola e correr, e com o tempo, de tanto praticar corrida, todas sequelas passaram e as brincadeiras antigas retornaram. Só um hábito engraçadinho se perdeu, o de subir na janela da sala e ver o que se passava na rua, isto ele só conseguiu fazer até os 8 anos. No mais, era como se ele nunca tivesse adoecido, o primeiro veterinário que deu o diagnóstico da cinomose, não acreditou que ele sobrevivera, e também ficou muito feliz em vê-lo forte e saudável novamente.

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Mas aí vem a grande questão existencial de novo “Por quê os cachorros vivem tão pouco tempo”… a idade foi chegando, quando Felipe fez 10 anos, começamos a ficar nostálgicos aqui em casa, pensando que inevitavelmente ele já entrara na média de vida canina. E quando fez 10 anos ele teve um ataque epilético. Eu realmente fiquei muito triste, e pensei que desta vez ele partiria. O internamos e quando fomos visitar na clínica, ele não comia, não andava, não bebia água. Trouxemos para casa, para ver se ele reagia… foi muito emocionante! Ele entrou em casa, deu a volta inteira no terreiro, bebeu água, comeu… ele só queria mesmo voltar pra nós.

Felipe amava tomar banho!

Felipe amava tomar banho!

Dessa forma, tomando remédio controlado para prevenir convulsões, Felipe viveu mais 5 anos para nossa alegria, feliz, e saudável… com o tempo mais cansado. Aos 13 anos a visão que não era muito boa, se foi totalmente, e audição se foi, assim ele não latia mais. Mas conhecia a casa, como uma pessoa idosa se adapta ao seu ambiente, e conhecia todos nós. Me lembro de ainda este ano, ele andar pela casa, e deitar do meu lado no sofá… nessas horas a gente percebe a sutileza do amor e como ele nos une com toda criação Divina. E foi outra crise epilética que levou Felipe de vez para o céu dos cachorros… Ele ainda resistiu, voltou pra casa, e nós todos, tristemente revezamos uma noite inteira dando-lhe água e comida na boca, ou apenas lhe fazendo companhia. Na noite de véspera de sua partida, aproveitei para lhe agradecer a estada conosco, agradecer a Deus pelo presente tão querido, e entregar-lhe em Suas mãos, por que um ser de pura inocência não merece mesmo sofrer.

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Eu estava conformada com a partida dele, mas mesmo assim, foi muito ruim chegar do trabalho, e procurá-lo no seu cantinho e encontrá-lo vazio. Todas pessoas aqui em casa em silêncio, por meia hora eu não peguei o seu último suspiro. Ainda agora, com quase um mês que ele se foi, me pego em casa achando que vou entrar e tropeçar nele em algum lugar, ou indo no seu canto na área para vê-lo como eu fazia agora que ele estava tão velhinho. Apesar da aceitação, a saudade é muito aguda.

A mania que ele nunca perdeu de dormir de frente para o ventilador.

A mania que ele nunca perdeu de dormir de frente para o ventilador.

São muitas a lições que se aprende criando um animal de estimação: cuidado, aceitação, atenção, paciência… mas a mais difícil delas é o desapego, todo mundo que teve a passagem de um cãozinho querido em sua vida, sabe o quanto é efêmera esta passagem, mas que ela nos marca para a vida toda.

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Hoje Felipe completaria 15 anos! Anos de amor, de resignação, de coragem, de alegria… a imagem dele jogando bola, dele filhotinho grudando os dentinhos na barra da nossa calça, da corrida matinal, dos latidos agudos vigiando a rua da janela, do carinho silencioso deitado ao nosso lado na sala, dos chiliques por medo de pequenos insetos, vão ficar com a gente para sempre, como pequenos souvenires de coração…

 

 

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