Especial Semana das Crianças: Filmes para Emocionar

Textos sobre a beleza da infância e a alegria de trabalhar com crianças são comuns aqui no blog, bem como sugestões e comentários sobre filmes, pois cinema é uma das minhas artes favoritas. Resolvi então, comentar alguns filmes com foco na infância, como homenagem à semana da criança, em andamento…

Assisti ontem “Coincidências do Amor”, uma comédia romântica que tem como foco principal uma criança. Vou começar por ele que me causou o insight para este post. A chamada da história deste filme, intitulado “The Switch” (a troca) originalmente, nos gera expectativa de um filme despreocupado, até mesmo de humor “pastelão”, pois se trata basicamente da história de uma mulher que tem a inseminação artificial sabotada por seu melhor amigo, que nutria uma paixão platônica por ela.

Entretanto, já em sua introdução, somos surpreendidos. Sobre um plano aéreo de Nova York, sendo sucedido por imagens de locais públicos com pessoas andando apressadas para todos os lados, o protagonista da história: Wally, apresenta nossa correria cotidiana e desencontros amorosos utilizando-se de um trocadilho: “Human-race”, que seria traduzido como “Raça Humana”  mas também pode ser “corrida-humana”. Este teaser, além de apresentar a história, nos dá uma boa medida do temperamento neurótico, introspectivo, desconfiado e pessimista de Wally, brilhantemente construído por Jason Bateman.

A História, como contei inicialmente, gira em torno de sua paixão platônica por Kassie, e a crise emocional que a decisão da melhor amiga desencadeia nele ao decidir-se por uma produção independente, crise que culmina com Wally se embebedando na festa de inseminação de sua amiga, e trocando o sêmen que ela havia  encomendado, por seu próprio. O detalhe fundamental da história é: Wally não se lembra de absolutamente nada no dia seguinte! Kassie resolve criar seu filho longe da cidade, e vai embora, deixando Wally e sua neurose em NY.

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O elemento brilhante deste filme é sem dúvidas Sebastian, o filho de Kassie, 7 anos mais tarde. É delicioso perceber como o menino tem todos elementos principais da personalidade de Wally, sem parecer uma caricatura, e é muito doce e agradável ver os dois tão introspectivos criarem um vínculo amoroso único! The Switch teria tudo para ser um filme sem credibilidade e com situações de mal gosto, mas pelo contrário, transforma a historia um tanto surreal, em familiar por nos aproximarmos do protagonista através de nossas neuroses e inseguranças de cada dia, e nos fazendo  ficar totalmente apaixonados pelo tão original Sebastian e seu humor peculiar. O desfecho vou deixar para vocês desvendarem, pedindo uma especial atenção para o discurso de encerramento de Wally, que se encaixa e se contrapõe perfeitamente ao discurso inicial, de uma maneira intimista e sensível.

August Rush/ O Som do Coração, é outro filme com uma criança como tema central que me emociona muito. A história é contada num formato de conto de fadas, mas a mágica é a música.  Evan é um órfão criado em um lar para meninos na periferia do estado de Nova York. Evan tem um foco: ele acredita que os pais estão vivos, que ele não era um bebê indesejado, e ele precisa encontra-los. Além disto, o menino consegue perceber musica em tudo, até mesmo os barulhos e ruídos do cotidiano e da natureza. Para Evan, tudo tem ritmo. Esta habilidade o leva a acreditar, com uma fé inabalável, que quando ele conseguir reproduzir esta música que o move pelo mundo, seus pais o encontrarão.

Concomitantemente à vida e sonhos de Evan/August nos é apresentado o romance da violoncelista Lyla e do roqueiro Louis que se apaixonam à primeira vista, e são afastados pelo pai da moça. Deste romance nasce Evan Taylor, que por obra do avô materno, tem a existência desconhecida por seus pais. Lyla deprimida pela experiência de “perda” do bebê, se muda para Chicago, abandonando a carreira de musicista. Louis desiludido com o amor impossível, abandona a banda,  muda-se para São Francisco e vai fazer carreira como homem de negócios.

No decorrer da saga do menino para revelar sua música e apresentá-la para o maior número de pessoas possíveis, percebemos os outros personagens, seus pais, reencontrarem a sua própria música e convergirem para Nova York. A história com ares épicos, nos premia com cenas de extrema beleza e sensibilidade (e como eu chorei com este filme!), como o menino tocando violão em praça pública com o pai sem saberem quem eram, e a mãe que contava os dias desde que perdeu o filho, da mesma forma que ele contava os dias que estava no orfanato. Não vou dar muitas pistas, por que acho que pela beleza das atuações, pelas lindas músicas, é um filme que merece ser visto e apreciado pela sensibilidade de cada um.

 

E para finalizar o post, não deixá-lo longo e cansativo, vou encerrar com um filme que assisti  muito recentemente e por acaso, zapeando no Netflix: “Não Aceitamos Devoluções”. Comecei a assistir atoa, nem tinha intenção de terminar por quê imaginei que seria muito fraco. É um filme mexicano, que narra a história de um homem imaturo, sem muita intimidade com o trabalho duro, que mora em Acapulco, e vive de levar turistas para sua cama e fazer pequenos serviços para sobreviver. A história de nosso personagem principal vai mudar quando uma de suas amantes de uma noite deixa um bebê de 1 ano em seus braços, alegando ser seu filho e some com 10 dólares para pagar o taxi.

O homem corre ao aeroporto desesperado para devolver a menininha, mas não alcança a mãe, então, resoluto em devolvê-la, chega à entrar nos Estados Unidos de carona em carona para encontrar a mãe e se livrar do desconfortável pacote. Neste caminho, acaba afeiçoando-se ao bebê, e quando resolve voltar ao México, o informam que sem documentos e sem visto seria preso e nunca mais veria a menina. Ele resolve então ficar ilegal no país cuidando da filha, e 7 anos se passam.

Parece uma história banal, mas a relação dele e a menininha é construída com tanta sensibilidade e pureza, que não conseguimos parar de assistir. Para evitar o sofrimento de ter sido abandonada pela mãe, ele cria uma realidade paralela de proteção e amor para sua menina, chega ao ponto de ser mal compreendido e quase perder a guarda de sua filha por isto, mas uma reviravolta final revela à nós e aos outros personagens os motivos do protagonista… Também não posso falar do final, mas preparem os lencinhos, eu esperava uma comédia e chorei um rio…

 

Bom, ficam estas dicas de filmes adoráveis para assistir com suas crianças, na semana da criança… espero que gostem, compartilhem as impressões comigo. Acha que tem algum filme que caberia nesta lista? Sugira nos comentários…

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