Eternidade & Infinito – Viajando na Arte de Escher

Por volta de 2005 ou 2006 ouvi pela primeira vez falar em Escher… discutia arte com um colega da escola onde trabalhava, e ele – que não gostava do Surrealismo de Dali – me falou que o subconsciente na obra de Escher era muito mais rico. Ele me emprestou um livro com as obras do artista, e trouxe para casa, impressionada com a perfeição das formas e a riqueza da imaginação contida em todas as obras. Curiosamente, muitas imagens já eram minhas conhecidas, e provavelmente quase todo mundo já viu e conhece algumas das gravuras dele, só não sabia quem as criou… 

Maurits Cornelis Escher, holandês nascido em 1898 foi um artista um tanto intrigante, dado à natureza dos temas de suas gravuras, mas ao mesmo tempo com um apelo popular, encantando os ditos “acadêmicos” e as pessoas de toda idade. Sua obra, sempre traz um quê de surpresa, ou traz detalhes que demoram a ser revelados, que precisam de uma “segunda” olhada para serem percebidos… como por exemplo, a arquitetura nada convencional do ambiente acima. 

 

Curiosamente, a obra deste notável artista, demorou a ser reconhecida como arte realmente… é que sendo da modernidade, e contemporâneo do abstracionismo, viveu em uma época, que o figurativo, ou o esteticamente agradável, já não era mais considerado arte. Apenas em idade muito avançada, viu sua obra exposta em um museu… (quase lhe fazem a mesma injustiça que cometeram com seu conterrâneo, Van Gogh).

Ainda hoje há quem considere arte, apenas o que incomoda, o que provoca – excluindo o belo da equação. Mas como não sou acadêmica da área, me sinto livre para adotar um conceito de arte mais abrangente, que aceita o belo e se compraz com ele, mas além  da beleza dos padrões, entende como belo o sublime: que nos espanta, nos faz refletir, nos faz pensar e sentir, e as vezes, mesmo nos causa “estranhamento”. Pensando neste aspecto, Escher é um pouco de tudo.

Já admirava a obra do artista, acho litografia e xilogravura técnicas impressionantemente difíceis, especialmente feitas da maneira tão apurada que ele fazia! Há tempos guardava uma pasta no meu computador com minhas gravuras favoritas e foi uma grata surpresa, saber que a maior exposição de suas obras estaria na minha cidade: A Magia de Escher, trazendo 85 obras originais, várias instalações extremamente lúdicas e interativas e dois videos: um documentário e um vídeo excelente em 3D.

Fomos conferir a exposição, numa tarde de sábado de sol, muito agradável em Belo Horizonte. Surpreendentemente, a fila para entrar na galeria principal já chegava quase no final do quarteirão do Palácio das Artes. Muitas pessoas de todas idade, algumas da “tribo dos artistas” que sempre estão em todos movimentos da cidade, muitas famílias com crianças, casais, idosos. Esta popularização da arte é algo que me emociona profundamente, e é uma “causa pessoal”, que tive oportunidade de defender na minha dissertação de mestrado.

 

A natureza de Belo Horizonte colaborando com este lindo Ipê Rosa na porta do Palácio das Artes

A natureza de Belo Horizonte colaborando com este lindo Ipê Rosa na porta do Palácio das Artes

Estar nesta exposição foi uma alegria! Sempre gosto de conhecer novos artistas, mas a emoção de ver pessoalmente uma obra que já se conhecia por reproduções me faz pensar realmente, que a obra original carrega uma “aura”.  O percurso da exposição nos introduz aos poucos no imaginário do artista, mostrando sua longa série de litografias e xilogravuras de paisagens da Itália, para nos levar a entender, como ele construiu o senso de perspectiva tão apurado. 

  

 A montagem cenográfica da exposição,  feita de maneira bem didática, leva o expectador – mesmo o leigo – a entender os processos de trabalho de Escher, e remontam o fantástico em sua obra: os efeitos em 3D, as ilusões de ótica. Muita coisa que é possível e simples de se fazer hoje em dia com um computador, mas genial de se imaginar que foi medido, planejado, gravado em pedra ou madeira para ser impresso no papel, no tempo do artista. Os traços minuciosos, a simetria, a profundidade são de encantar! É como por algum tempo, entrar em um portal e ser transportado para a maravilha da obra, que nos faz pensar em o que é real, em tentar dimensionar a infinitude, a ter asas e voar pelas paisagens, pelo universo sem limites… 

Instalação baseada na ilusão de ótica, permite a interação com a obra e sua compreensão

A exposição me impressionou ainda mais, por ter trazido obras que não imaginei que estariam presentes entre as outras e apenas apareceriam em formato de Banner… mas estavam no final da mostra e foi muito emocionante ter contato com elas!!

Laço

Dia e Noite – 1938

Répteis

O fantástico Mural “Metamorphosis” a parte de cima numa fase anterior e a de baixo em uma fase mais madura do pintor

E por fim, o poder da arte, de além de fazer rir, chorar, refletir, surpreender-se com o comum e o incomum… de nos fazer deixar os padrões da normalidade e seriedade de lado, e sermos crianças perante a obra…

Era permitido até fazer um auto retrato estilo Escher... com cenário igual e tudo!

Era permitido até fazer um auto retrato estilo … com cenário igual e tudo!

Quem mora em Belo Horizonte, ainda dá tempo de visitar esta mostra extraordinária: 20 setembro a 17 de Novembro 2013 – terça a sábado, das 9:30h às 21h, domingo, das 16h às 21h. Palácio das Artes – entrada gratuita. 

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Uma resposta to “Eternidade & Infinito – Viajando na Arte de Escher”

  1. Priscila Says:

    Cleide, eu estive nesta exposição em SP em 2011, no CCBB, é maravilhosa mesmo! Bjos


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