Serendipity

Há um tempo este conceito tem feito parte dos meus pensamentos, especialmente quando penso nos encontros e desencontros amorosos da vida de todos nós. O que rege nossos movimentos pela vida? O que faz alguém gostar ou não de nós? Por que nos apaixonamos as vezes à primeira, as vezes à segunda vista?

Eu confesso que uma das minhas ansiedades é não poder controlar o futuro, não saber ao certo com quem eu devo me encontrar, ou se eu vou encontrar, ou se já encontrei? Pensar que por uma escolha errada no caminho, pode-se deixar de conhecer o amor da sua vida… isso me assusta um pouco!

Nessas horas, me desagrada acreditar em livre arbítrio – como podemos fazer escolhas tão graves sem conhecimento total da situação? E sinto mais vontade de acreditar em destino… apesar de ser racional, sou romântica… e isto é complexo, porque as vezes são nuances discrepantes em uma mesma personalidade. Mas assim é cada um de nós, uma contradição ambulante!

Até este ano, eu nunca tinha ouvido falar em “Serendipity” – esta palavra nem sequer existe na língua portuguesa, e tampouco quem estuda inglês a conhece profundamente. É uma palavra da filosofia, então, poucos estão familiarizados com o conceito. Curiosamente eu a ouvi duas vezes na mesma semana, e me chamou atenção… no “pé da letra” seria este o significado:

Ocorrência e desenvolvimento de eventos pela sorte de uma maneira feliz e que traga benefícios.  A origem está ligada a Horace Walpole, em um conto chamado “As três princesas da serendipity”, que conta a história de heróis que estavam sempre fazendo descobertas, por acidente ou sagacidade, de coisas pelas quais eles não buscavam.

Atenção, este conceito não é sinônimo de mero acaso:

Então, alguns pontos: Serendipity se define por acontecimentos felizes, não são acidentes ou acaso – acredita-se ser “senso de humor do destino” e que dá novos rumos à nossa vida [podem ser pequenas coisas, mas geram grandes repercursões!], mesmo que não estejamos procurando!!! Sabe aquele encontro inesperado que abre seus horizontes? É isto!

Acreditar em “Serendipities” está muito ligado ao conceito de fé,  na crença de que alguém cuida de nós e de que há mais coisas entre o céu e a terra do que julga a nossa vã filosofia. E o que isso tem a ver com o Amor? [Vocês devem estar se perguntando, e me achando meio louca] Tem tudo a ver!

Olha, eu não sei se vocês pensam assim, mas para mim, o amor é definitivamente uma das coisas mais importantes da vida de qualquer pessoa… Não importa em qual aspecto, as decisões em torno dele definem nossa vida: há quem decida ficar só [mas é uma decisão amorosa], há quem se case; há quem não casa, mas ama a mesma pessoa a vida toda e tem uma linda história de amor; há quem se dedica a amar a Deus e abre mão de viver em parceria, mas vocês hão de concordar, que são decisões de grande porte na história de cada um.

Se há algo na vida, que deve ser regido por “Serendipity” é o amor! Porque o ser humano é tão perdido nessa área, nunca sabe o que procura, as vezes acha e não enxerga, as vezes procura e não acha. Tem que haver alguma mágica nisto, devem haver encontros marcados independentes de nossa prepotência de querer controlar todas as coias! Deve haver alguém no céu olhando por nossos pobres e sofridos corações!

E é só observar as melhores histórias se não têm um toque das “mãos do destino” para acontecerem! Sempre que eu conheço um casal feliz, eu peço para me contarem sua história, já ouvi tantas… tive uma amiga, uma senhora já nos seus 60 anos, que encontrou o amor de sua vida com 40. Ela me dizia que nem pensava mais no amor, e ele apareceu… perguntou com delicadeza se ela achava que 17 anos à mais era muito tempo [foi o segundo casamento dele]. Estes dois viveram uma das histórias de amor mais profundas das quais já ouvi falar, por pouco tempo, acho que viveram só 23 anos juntos e ele faleceu… mas se amaram intensamente como “almas gêmeas” mesmo.

Há por outro lado, histórias como dos meus avós, que viveram quase 60 anos casados e se conheciam desde criança… as vezes eu invejo esses casais que se namoram desde a adolescência e ficam pra sempre juntos! Deve ser tão mais fácil! E imaginem só, amar uma pessoa desde sempre e sempre!

Uma amiga querida, também minha professora de yoga, me disse recentemente que nós mesmos construímos os nossos companheiros de vida, com nossos pensamentos, atos e desejos, e sintonizamos alguém, seja quem for e onde estiver, essa pessoa chega em nossas vidas. As vezes nem estamos pensando em nos apaixonar, a pessoa tampouco, mas o encontro acontece, e mudamos de idéia [ainda bem]!

Ela me contou, que a força de encontros destinados é tão grande, que a gente não consegue fugir… e nem quer, mesmo que estejamos cansados e machucados por relacionamentos ruins, que nos prendem, que nos maltratam e nos fazem quase descrer no amor! Eu falei com ela [que considero uma das pessoas mais sábias que conheço]: “Mas você acredita de verdade nisto?”  E ela me disse, como somente uma pessoa muito sábia diria: “Eu acredito nisto!” E fiquei pensando… por quê não acreditar?

Então, se você anda meio sem fé no amor, na mágica da vida… pense nisso, as vezes, um encontro pode mudar tudo. Sabe aquele dia, em que você está cansado(a), nem pensa em sair de casa, se arruma com má vontade e acaba indo onde acreditava que não iria, e conhece alguém que nem sabia que existia, mas tem tudo a ver com você? Isto é Serendipity… só porque você não esperava, não quer dizer que não era o melhor que poderia te acontecer!

Então eu faço essa proposta a todos nós [porque eu também costumo me afundar em tristezas e dúvidas…] , de dar asas ao amor, à fé e à esperança que existe em nós… se o amor não chegou na sua vida, acredite que ele ainda vai acontecer, quem sabe ele já está aí, e você não viu? Fica idealizando, está preso(a) em relações terríveis ou impossíveis do passado, ou então cria na cabeça tantos grilos que não percebe?

Faça um pacto com a vida e esqueça o passado… as decepções, tire delas o melhor, pense que elas te fizeram mais forte, construíram em seu caráter as características exatas que o seu companheiro(a) real desta vida vai admirar e precisar trabalhar em si… pense que nada na vida é por acaso, e a mágica que chamamos de “química” talvez seja um burilamento perfeito das nossas características vida afora, somadas à energia exclusiva e intransferível de nossa alma, e ao tempo certo, exato para que tudo se encaixe e passe a fazer sentido como nunca fez antes!

"Quando o amor parece mágica, chama-se Destino. Quando o destino tem senso de humor, chama-se Serendipity"

Já te aconteceu algo do tipo? Você acredita? Concorda ou discorda? Me conta sua história…

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12 Respostas to “Serendipity”

  1. Victor Costa Says:

    Just perfect!
    Keep writing things like this my lovE!
    I have a history to tell, but U know better than I! rs
    Love U and in love with this text!
    XoXo

  2. Tatiana Souza Says:

    Cleide, cada dia gosto mais de ler os seus textos. Ando meio descrente sobre o amor, mas esse texto me fez pensar/repensar (com carinho) algumas coisas…
    Bjo.

  3. Carol Says:

    Muito fofo, Cleide! Tomara que seja verdade! Queria ter a fé da sua professora de yoga, mas essa fé também é uma construção longa para a qual nós devemos estar abertos/as!
    bjs

  4. Daiana Flávia Says:

    Já aconteceram tantas coisas inexplicáveis na minha vida, que eu acho que sempre acreditei em Serendipity.
    Quando eu penso que tudo está perdido, o destino sempre me surpreende!
    Espero que seja sempre assim!

    Parabéns pelo texto Cleide! É preciso sempre ter fé e acreditar que as coisas, um dia, iram melhorar. E que todas aquelas decepções do passado um dia fará sentido em nossas vida. Caso contrário, não faz sentido viver!

  5. Programa Software Says:

    Concordo plenamento com o que está escrito, belo post

  6. Marcos Farias Says:

    Ola cleide. Sou de salvador, descobri seu blog e virei deu fa. Incrivel como um texto pode mudar um dia triste. Adorei o conceito apresentado. Bom dia pra vc

  7. E mais um Natal se aproxima… « Colcha de Retalhos Says:

    […] recentes Cleide Sousa em Homens que deviam existir no m…Cleide Sousa em SerendipityBruna em Guns n’ Roses e meus tem…rafael em Guns n’ Roses e meus […]

  8. Sthephanny C Says:

    lindo o blog, seguindo (:

  9. Cassia Souza Says:

    Excelente texto, realmente o amor nas suas mais variadas formas é o que move tudo. Fico triste qdo vejo tantas mulheres interessantes desistindo da vida afetiva por estarem presas à relaçoes passadas sem futuro algum.

    • Cleide Sousa Says:

      Cada um tem seu tempo, e como vamos julgar se não sabemos se a relação do passado é o amor da vida da pessoa… não conseguimos entender as nossas próprias histórias, creio que não há como saber se os outros estão presos no passado, se a relação ainda é presente… acho que as histórias de amor devem ter seu tempo de vida, que é o tempo de cada um… não existe fórmula…
      O importante é que elas aconteçam!


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