Ainda sobre o Amor…

Atenção: Não escrevi esse texto para uma pessoa especificamente, já fui abordada por pessoas que se sentiram contempladas. É uma indignação geral, não específica, contra comentários que não me ajudam a crescer – pois não são feitos diretamente a mim, e sim a terceiros sobre mim – e pela constatação da distorção dos valores da nossa sociedade.

 

Caros leitores, me desculpem pela ausência… ando em crise de criatividade [muito trabalho, muita cobrança  e pouco dinheiro  em contrapartida deixa até o mais otimista dos seres humanos desmotivado… desculpem-me!].

Bom, mas se a inspiração não vem, nada como a indignação para nos obrigar à expressão.  Me chegaram aos ouvidos comentários maldosos que me criticavam por acreditar no amor… comentários vulgares que me irritaram profundamente. Como todo ser humano, me reconheço falha e imperfeita, claro! Mas ser criticada por acreditar em algo bom e verdadeiro, é no mínimo contraditório.

Esse tipo de comportamento e ataque gratuído [fui chamada de idiota] dá mostras dos valores que têm guiado nossa triste sociedade, para a qual, a cada dia, amar verdadeiramente e de coração aberto, é sinal de fraqueza e não de fortaleza.

Não é de se estranhar, em uma sociedade em que cada vez mais a aparência sobrepõe-se à essência, ou seja: “se eu pareço ser algo, pra que preciso me esforçar para sê-lo?” E que as relações humanas cada vez mais se pautam na competição do que na solidariedade, é lógico que amar é dar sinal de ser fraco, bobinho… afinal, o outro é descartável, e se não me agrada e atende no minuto presente, é melhor que eu o jogue no lixo, e procure outro que faça tudo que eu quero, da maneira que eu quero, na hora que eu quiser.

O pior é que o desejo geralmente resume-se pura e simplesmente ao encontro sexual. Na cabeça doente da maioria das pessoas, um homem ama uma mulher, apenas se a levar para cama [ou quiser fazê-lo]  no primeiro momento. Em uma relação, onde o amor se confunde com o sexo,  localiza-se o amor no corpo apenas, e não na alma, sua verdadeira sede.

Não quero fazer aqui, apologia ao celibato, não tenho nada contra aos que se prendem apenas às sensações nas relações… o sexo também é uma energia que pode progredir para o amor. E cada um faz com seu próprio corpo, o que quiser.

O que me chama atenção é a incoerência geral… todo mundo quer sair, e acha que ser feliz é beijar 20, 30 bocas em uma noite. Digo bocas, porque o beijo deixa de ser uma expressão de afetividade para ser um fim em si mesmo. Então, você não é uma pessoa que beija a outra pessoa, é apenas mais uma boca. Mas essas mesmas pessoas que assim o fazem, são aquelas que se comovem com filmes e livros como Crepúsculo. E choram ao ver Edward pedir Bella em casamento, propondo-lhe um amor à moda antiga.

Ora, é uma lei natural, que a gente colhe o que planta. Se você planta sexo casual, se você trata os outros como objetos de seu prazer, como colherá amor verdadeiro? Mais uma vez eu digo, se o seu objetivo é esse, vai fundo, você conhece suas sementes, e sabe da sua colheita. Mas deixem em paz aqueles que acreditam que ainda há relacionamentos baseados na confiança, no respeito e no real conhecimento do outro, como ser integral: corpo, alma, sentimento!

Eu acredito no amor… mas é bom que fique claro, eu não acredito em contos de fadas. Eu acho que o grande barato do amor, e o que as pessoas que não se prestam à relacionar-se perdem, é o conhecer o outro em sua imperfeição, e conviver assim mesmo com ele, porque o estar com aquela pessoa te faz querer ser uma pessoa melhor, e dessa forma, potencializa em você aquilo que você veio fazer nesse mundo. E poder sentir o milagre da recíproca, saber que alguém conta contigo, e que você pode contar com aquela pessoa, nas horas felizes e nas horas não tão boas.

Eu acho realmente que não é mais tempo do amor romântico, em que se acreditava na alma gêmea, perfeita… ou naquele que te completará e fará sua vida toda mudar… não! Esse mito também é um gerador da infelicidade. Ninguém vai te completar, porque você já traz todas potencialidades em si. O seu amor não vai te fazer feliz, ele compartilhará da sua felicidade. Porque felicidade que depende de outra pessoa é frágil. Mas o amor te trará alegrias, porque por algum motivo, o sorriso daquela pessoa te faz sorrir, e você quer muito que ela vença, e a cada vitória, você se sente feliz, porque é como se você também vencesse… sinal de amor maduro: o desprendimento, ver o outro crescer, sem querer competir com ele, mas acompanhando-0 e aprendendo junto a ele.

O amor não tem que ser fácil, nem encantado, para ser bonito e fazer a vida melhor. Adaptar-se não é fácil, reinventar a relação a cada dia não é fácil… mas é preciso. Os familiares nos são um amor compulsório… a gente não sabe citar um motivo específico para amar a mãe, o pai, o irmão… ama-se e pronto! Agora, seu parceiro é aquele que você escolhe, e descobre motivos para sê-lo. Não havendo a consanguiniedade, os laços precisam ser da alma… por isso eu acho muito complexo esperar encontar o amor comportando-se levianamente. O amor precisa ser cultivado, porque ele não acontece em um passe de mágica. A atração sim, pode ser imediata, mas se não houver lastro, passa-se de parceiro a parceiro, sempre desiludindo-se no primeiro defeito.

Por isso, posso parecer idiota, por acreditar, por esperar e ter fé, mas eu sei o que eu quero colher, então, porque vou plantar urtiga, se eu quero flores no meu caminho? Aos que falam pelas costas, que quem ama é “trouxa”, ou que o amor não existe… cuidado. Talvez seja melhor ser bobinho do que ter um coração tão árido, que nem grama pode nascer… quem dirá flores.

No meu entender, todo tipo de amor, é um aprendizado do ser humano, para compreensão do Divino. Mesmo o amor mais profano, é uma centelha do amor integral, incondicional de Deus, uma vez  que somos criaturas do Amor Divino. Se você está perdido na amargura, e maldiz os que amam, reflita… se você tem em sua vida, orientação Cristã, lembre-se que Jesus se entregou à  morte, por amor à você. Se nós, seres humanos, que amamos com tanta falha, somos considerados trouxas, você consideraria quem se deixou morrer por amor, mais falho do que você mesmo?  

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4 Respostas to “Ainda sobre o Amor…”

  1. Yanne Says:

    Se o tempo de espera é ruim..valeu a pena esperar por esse desabafo!
    Cleide…minha amiga se ter bons própositos…se acreditar em valores eternos é bobagem…que mundo é esse..
    O Amor é algo tão Divino…tão maravilhoso que as pessoas tendem a desvalorizá-lo pela dificuldade que sentem em educar-se para encontrá-lo.
    Ele existe…está ao alcançe de qualquer um, mas há um tempo certo para cada coisa debaixo deste céu!Quando menos esperamos ele surge na forma mais sutil em nossas vidas e as vezes não o percebemos.É uma questão de espera…que ele sempre vem!Continue acreditando..e distante você tem uma amiga que a admira por isso!
    bjs!

  2. Cleide Sousa Says:

    Amiga!
    Lindas palavras… obrigada! Você é um doce!
    Bjs!

  3. Sol Wilsy Says:

    Ah… o amor… o amor….eu ainda acredito nele também!

  4. “Mosaicos Existenciais à Procura” « Colcha de Retalhos Says:

    […] você gostou do assunto, eu já falei do amor aqui,  aqui e aqui também. Neste post falei da inveja, e um pouco sobre os relacionamentos e nossas […]


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