Natal é tempo de…

"Jerusalém" - Tissot

 

Mais do que qualquer coisa, considero Natal, tempo de lembrar o Cristo. Não só o seu nascimento, que é do que a festa se trata, mas pensar no seu exemplo, e nos inspirar para repensar nossas ações no próximo ano – muito providencial que essa festa seja no final do ano, dá pra imaginar uma energia mais pura para se despedir de um ciclo e iniciar outro?

 Independente de pensamento religioso, Jesus foi uma figura ímpar, à frente do seu tempo e até mesmo do nosso… admirável em todas ocasiões, verdadeiro, bondoso – a manifestação mais perfeita que tivemos do Amor.  

Augusto Cury comenta, em seu livro “Análise da Inteligência do Cristo” que mesmo que não tivesse feito um milagre sequer, as atitudes e os ensinamentos de Jesus foram tão eloquentes, que ainda assim ele dividiria a história. Vocês já pararam pra pensar, o quanto o pensamento desse jovem nazareno representa a vanguarda da evolução humana?

 

 

Há quem diga que Jesus foi uma invenção dos cristãos, que criaram um personagem para justificar o seu movimento… mas quem criasse os Evangelhos e seus ensinamentos, para inventar tal personagem, teria que ser dotado de tamanha sabedoria, que não teria passado anônimo na história.  Não é mais simples admitir sua existência e genialidade? O mais interessante, é que essa genialidade do Cristo, e seu amor infinito, eram expressos em gestos tão simples, que muitas das vezes não diminuía seu interlocutor perante tal grandeza. Só os seres perfeitos têm tamanha coragem de serem autênticos e simples.

Augusto Cury, na mesma obra que citei, traz uns exemplos muito bons que ilustram como Jesus foi extraordinário pra sua época e ainda o é…

 

  • Cristo era ousado, questionador. Perguntava para conduzir as pessoas a se interiorizar e a se questionar. As parábolas perturbavam os pensamentos dos ouvintes.
  • Expressava com elegância e coerência a sua inteligência nas situações tensas e angustiantes; Instigou os escribas e fariseus a estudarem mais profundamente a respeito de sua identidade.
  • Personalidade inusitada, distinta e imprevisível era honesto consigo mesmo; Cristo era audacioso, falava com segurança determinação, aquilo que estava dentro de si mesmo, ainda que muitas pessoas ficassem confusas diante de suas palavras ou corresse risco de vida.
  • Cristo de fato, disse palavras intangíveis para o atual estágio da consciência.
  • A Inglaterra e a França demoraram muitos séculos para produzir um corpo de pensadores na filosofia, na literatura, etc. Geralmente a produção de pensadores tem determinada relação com o atendimento das necessidades básicas de sobrevivência com o desenvolvimento social. Primeiro devem ser atendidas essas necessidades para depois florescer um pensamento mais maduro e coletivo. Cristo brilhou na sua inteligência, ele conduziu as pessoas da sua época, tão castigadas pela miséria física e psicológica, a terem uma fome do saber que transcendia as necessidades básicas de sobrevivência. As pessoas abandonavam as suas casas e o pouco que tinham iam para regiões desérticas para ouvir as palavras desse atraente mestre.
  • Cristo tinha tanta coragem para expor seus pensamentos, como para permitir que as pessoas o abandonassem. Ele não tinha o interesse de controlar as pessoas. Um dia ele chegou diante de seus discípulos e deu plena liberdade para que eles o deixassem.
  • Agradável contador de histórias, paciente e carismático na arte de ensinar, cativava até seus opositores. Estava sempre contando uma história que pudesse atrair as pessoas e estimulá-las a pensar.
  • Quando estava no auge da sua popularidade montou num pequeno animal e subiu até Jerusalém, ninguém mais esqueceu aquele gesto audacioso, intrépido e incomum e a complexa mensagem que ele trouxe. Se ele queria demonstrar que era contra qualquer tipo de discriminação economizava discurso e tinha atitudes inesperadas. Se queria que demonstrar que era contra a discriminação estética e por causa de doença contagiosa, ia fazer suas refeições na casa de Simão – o leproso. Contra a discriminação das mulheres, tina complacência e gestos amorosos com elas diante das pessoas rígidas.
  • A prática do perdão de Cristo era fruto da sua capacidade incontida de amar. Através dessa prática, todos tinham contínuas oportunidades de revisar a sua história e crescer diante dos seus erros.

 

Os exemplos a serem citados seriam intermináveis… mas o convite é esse: nesta data que mobiliza a todos, pense no aniversariante – o incomparável Jesus! E lembre-se de como ele deu a vida se dedicando a nos ensinar o verdadeiro amor. Somente tal amor, vai nos permitir viver em harmonia e paz!

E é isso que desejo a vocês todos! Para o próximo ano e todos os outros!

Danny Hahlbohm

“Descendo à esfera dos homens por amor, humilhando-se por amor, ajudando e sofrendo por amor, passa no mundo, de sentimento erguido ao Pai Excelso, refletindo-Lhe a vontade sábia e misericordiosa. E. para que a vida e o pensamento de todos nós lhe retratem as pegadas de luz, legou-nos em nome de Deus, a sua fórmula inesquecível: – “Amai-vos um aos outros como eu vos amei.” – Emmanuel

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Um ano de Colcha de Retalhos!!!!

 

Nossa, parece que foi ontem que tive a idéia de fazer esse blog!!!!

 

E que bom que isso aconteceu… tenho podido interagir com tanta gente legal, e expressar meus gostos, sentimentos, idéias!!!

 

Obrigada meus amigos e leitores, pelas 43.524 visitas durante esse primeiro ano!

 

Longa vida pra nossa amizade!!!! E que possamos acrecentar ainda muitos retalhos nessa colcha!

 

 

 

Mimos…

Sobrou um tempinho entre as correrias do final do ano, pra fazer uns presentinhos para os amigos…

Sei que ser prendada nem é coisa da nossa vida de mulher pós moderna…

Mas valeu a pena tirar um tempinho pra fazer uns mimos que adoro!!! Vou compartilhar com vocês…

Paninho de prato:

 

Detalhe da pintura

detalhe do crochet que mamãe fez

Toalhas:

conjunto de toalhas

 

detalhe da toalha

Mais um paninho de prato:

 

detalhe crochê

 

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Desejos…

“Pensamento é vida.
Vida é criação.
Criação vem do desejo.
Desejo é semente.
Semente plantada no terreno da ação traz o fruto que lhe corresponde.
Toda semente produz.
A escolha é nossa.” – Emmanuel

Queridos leitores, ando um pouco sem tempo essa semana: correria de final de ano! Prometo bons posts semana que vem, já que o blog fará um ano!!!

Por agora, deixo meus sinceros votos que seus desejos se realizem e que vocês saibam plantar coisas muito boas para colher em seus caminhos!!!

Para Maria da Graça

Um presentinho para vocês: esse texto de Paulo Mendes Campos, escritor de Belo Horizonte. Trata-se da dedicatória do presente que ele deu à sua sobrinha “Maria da Graça” na ocasião dos seus 15 anos.

Conheci esse texto quando fazia minha especialização, eu um professor muito bacana, leu para minha turma no final da sua disciplina. Adoro as reflexões propostas…

PARA MARIA DA GRAÇA

Paulo Mendes Campos

Agora que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou
este livro:

Alice no país das Maravilhas.
Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.

Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende,
pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.

A realidade, Maria, é louca. Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: “Fala a verdade, Dinah, já comeste um morcego?”. Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. “Quem sou eu no mundo?” Essa indagação perplexa é o lugar comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.

A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: “Estou tão cansada de estar aqui sozinha!” O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada, e vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.

Somos todos bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo, e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.

Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser grave.A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: “Oh, I beg your pardon!” Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para a tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: “Gostarias de gatos se fosses eu? “.

Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: “A corrida terminou! Mas quem ganhou?”  É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre aonde quiseres, ganhastes.

Disse o ratinho: “Minha história é longa e triste!” Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: “Minha vida daria um romance”. Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois o romance é só o jeito de contar uma vida, foge, polida mas energicamente, dos homens e das mulheres que suspiram e dizem: “Minha vida daria um romance!” Sobretudo dos homens. Uns chatos irremediáveis, Maria.

Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mais devagar, muito devagar. Quero dizer seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: “Devo estar diminuindo de novo”. Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.

E escuta esta parábola perfeita: Alice tinha diminuído tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte: É isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e de rinocerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo. E como tomar o pequeno por grande e o grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom humor.

Toda pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões.

Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado.  Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: “Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas”.

Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida: É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor, Maria da Graça.

O Elo Divino…

Esses dias eu tenho pensado sobre o amor, não só ultimamente – esse assunto sempre esteve em minhas reflexões.

Que sentimento é esse que une dois seres para uma vida? Qual o segredo dos casais felizes? Confesso pra vocês que sempre que conheço um casal feliz, depois de observá-los um bom tempo,peço para contarem pra mim sua história: como se conheceram? O que fazem para manter o sentimento amoroso jovial como no início do romance? Tenho uma coleção de histórias, de teorias… e vou ajuntando, na minha maneira própria de entender esse mistério… o amor…


Essa semana me deparei com um texto, simples e perfeito! Explicando isso tudo que eu tenho tentado encontrar. O autor é o professor Hermógenes, um dos maiores nomes do yoga no Brasil. E ele fala com propriedade, viveu realmente um grande amor, que durou a vida inteira!

 

Compartilho com vocês…

 

“‘Portanto, o que Deus juntou não separe o homem…’

Quando é que podemos dizer que ‘Deus juntou’?

Quando, diante da lei, os nubentes assinaram o contrato?

Será o contrato o vínculo de Deus?

Um casal se une diante de um altar, perante um sacerdote e testemunhas…

O ritual será o vínculo de Deus?

O elo Divino não é feito de papel, nem de cerimônia pomposa.

Que é este misteroso vínculo indissolúvel, que o homem não pode separar?

É Deus mesmo que o define:

‘De modo que não são dois, mas uma só carne…’

Esta é a Divina União, que Deus abençõa e os homens não desfazem.

É o próprio Deus.

Deus, que é Amor.

 

Amor não é aquele que só consegue amar a perecível forma.

Por ser fácil, é vulgar amar a formosura da forma.

Esse amor, que não vai além do apetite estético, é tão vulnerável quanto a própria beleza transitória. Dura somente o tempo que dura aquilo que o tempo, a doença e a morte desfiguram e extinguem.

O Amor liberto do tempo, das injunções existenciais, o Amor que perdura, os vulgares não conhecem, pois não entendem o que é amar a Essência, que transcende as formas.

Somente os que já conseguiram penetrar em algumas camadas mais sutis e profundas de seu próprio universo interno, portanto, mais longe do ilusório, são capazes da libertadora aventura, da transcendente ventura de Amar.

Este amar Real também goza a forma.

Mas, em realidade, ama a Essência, que lhe dá Eternidade, Infinitude, Transcendência, Felicidade, Plenitude.”

Professor Hermógenes, Mergulho na Paz. P. 219

 

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