Inspiração…

Nossa Senhora, por Cleide Sousa

Nossa Senhora, por Cleide Sousa

AVE

 Gladston e Tim
 

Ave, ó cheia de graça   Pelo Pai foste escolhida
Um anjo vem ante à humanidade
Em singela maternidade
Ó Senhor, seja a tua vontade
Serva sou de todo amor que me cabe
És amiga da Verdade
Sob aparição serena
Concebente virgindade
Na cidade nazarena
O teu corpo é diamante
De longeva evolução
Nele gerarás o teu filho
Divindade dimanante
Boa Nova!
Alegrai-vos Galiléia,
Samaria, Cafarnaum
Ó Jerusalém, exultai também
Pelo fruto de Maria
Boa Nova!
O Senhor-luz dará à luz
Achaste graça diante de Deus
O teu nome é no céu
Não rejeitarei a taça
Bom amigo, Gabriel…

 

 

 

 

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Homens que deviam existir no mundo real…

Esta sessão é para vocês meninas, que assistem filmes e pensam: “Ai, ai, mas como eu queria um desses para mim”, quando se depara com aquele personagem que além de lindo, inteligente, e perfeito, é fofo, e cavalheiro… pois é… a vida devia imitar a arte as vezes [ou sempre] não é?

Ah!!! Mulder!!!!!!!!!!

Ah!!! Mulder!!!!!!!!!!

Eu sempre me pego pensando isso, ou comentando com minhas amigas, especialmente as de internet… “puxa, como podia existir um Mulder, ou um Scofield, ou um Booth, ou um Mark Darcy na vida real… e morar aqui por perto!!!” Se você nunca ouviu falar em nenhum desses semi deuses… em breve os apresentarei para vocês… e quero que vocês compartilhem comigo… QUAL HOMEM DA FICÇÃO [pode ser livro, filme, série de tv, novela] É SEU SONHO DE CONSUMO NA VIDA REAL?

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Pra começar, como vocês já devem ter visto,  falarei do meu [e  de muitas outras amigas] eterno muso: o Agente Fox Mulder, protagonista de Arquivo X.  Fox tem esse título, e estréia a sessão por muitos motivos.

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O primeiro motivo é muito pessoal, Mulder foi o homem dos meus sonhos durante toda minha adolescência… eu sou da geração que ficou adulta acompanhando Arquivo X, quem não conhece a série, não sabe o que está perdendo… dá uma espiadinha aqui:

 http://arquivoxepisodes.blogspot.com.

Como se não bastasse ser interpretado pelo belíssimo, lindo e inteligente ator David Duchovny… vem comigo conferir o material:

David novinho...
David novinho…

Mulder não era um carinha bonito comum, o encanto do esguio e irresistivelmente charmoso agente do FBI residia muito mais no seu senso de humor refinado e na sua busca apaixonada pela verdade. Era em torno disso que girava Arquivo X: a busca desesperada por provas para expor uma conspiração global, por um homem fascinante e atormentado por fantasmas do passado: o lindíssimo Mulder.

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Fox era um cara que tinha tudo pra ser muito bem sucedido, subir na hierarquia, ser poderoso, mas seu senso ético, e sua sede de justiça acabavam por colocá-lo em maus lençóis com seus superiores. Quem não ama um herói? Então, seu brilhantismo ficava escondido ironicamente nos porões do FBI, incomodando e ameaçando os poderosos corruptos. Ai, como eu adoro isso no personagem… esse idealismo que pouco se importa com quem manda… e uma certa rebeldia, de quem sabe que está certo mesmo indo na contra mão de todos.

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Mas Mulder também tinha seu lado meigo, doce e cavaleiro… do jeitinho dele, é claro. Em Arquivo X, o vemos através dos anos se envolver com sua parceira, igualmente determinada, inteligente e poderosa, e acompanhamos seu jeito um tanto desajeitado as vezes de a cortejar! 

Só entre nós... homem de terno é um arraso!

Só entre nós... homem de terno é um arraso!

Temos que destacar que o casal tinha um timing complicado… como se não bastasse o fato de que os dois só pensavam em trabalhar –  quando um resolvia dar uma “indireta” no outro… o parceiro nem de longe entendia a discreta cantada. Eles demoraram 7 anos pra se beijarem… em que planeta, duas pessoas que se completam como os dois se completavam, demorariam tanto tempo para se acertar???

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Eu poderia ficar aqui o dia todo citando momentos fofos que provam que Mulder é um “muso” e tanto: seu hábito de levar flores, nunca desistir da amada, mesmo quando todos acham que ela se perdeu para sempre, ou até quando ela mesma acha que sua vida está condenada por uma doença fatal, enfrentar qualquer pessoa [ou criatura] por ela, ser teimoso muitas vezes e outras vezes fazer cara de cachorrinho sem dono, ir – literalmente -até o fim do mundo para buscar de volta a sua amada… mas, vocês já entenderam meu ponto de vista, não?  

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Me contem… qual o seu muso???? Que personagem da ficção vocês gostariam que fizesse parte da sua vida?

 

Beijim pra vocês! 

Bateu uma inspiração…

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Transformei em flor de lótus!

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Quando Entrar Setembro…

 

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… e a boa nova andar nos campos, quero ver brotar o perdão, onde a gente plantou…” – Beto Guedes

 

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Setembro sempre foi um dos meus meses favoritos… não sei porque, acho que depois da correria de Agosto [que para mim sempre foi um mês tumultuado] vêm a leveza, a alegria de Setembro.

 Talvez porque em Setembro, inicia-se a Primavera aqui no hemisfério sul… fico pensando se o autor da canção não tem razão: “Sol de Primavera, abre as janelas do meu peito…” acho que temos um registro na alma, que primavera é tempo de abrir o coração, e isso me faz  sentir bem.

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Sempre que começa Setembro, algo no meu coração me diz que é hora de colher o que de bom plantei durante o ano… acho que é tempo de “parir” o que se gestou, já que são nove meses do ano corrente, tempo de amadurecimento de tantos projetos que sonhamos no reveillon.

Eu fico pensando, se mesmo tão urbanos e tecnológicos que nos tornamos, ainda não carregamos um pouco da magia e inocência dos povos antigos, que se guiavam pelos rítmos naturais, e por isso, setembro desperta em nós, algo ancestral, guardado no íntimo de nossos espíritos, acho que o texto de Cecília Meireles, diz bem sobre isso…

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Primavera

Cecília Meireles

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Texto extraído do livro “Cecília Meireles – Obra em Prosa – Volume 1”, Editora Nova Fronteira – Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

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Meus queridos e queridas, que os frutos de sua colheita, sejam doces e fartos, e que setembro seja um mês de despertamentos de amores e felicidade!

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Razões para Amar Paris, parte II – Abelardo e Heloísa

 “Amar, é morrer aos poucos, mas não amar é o purgatório em vida.” – Stealing Heaven

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Uma face de Paris que me fascina, é o fato que a cidade inspira e sempre inspirou o amor. Paris tem vocação romântica entranhada em cada rua. Minha história de amor favorita, aconteceu na Paris Medieval, século XII.

Me encantei pela linda e triste história de amor de Abelardo e Heloísa, quando assisti pela primeira vez ao filme “Stealing Heaven” (traduzido “Em Nome de Deus” no Brasil) , filme de 1988, que eu devo ter visto pela primeira vez há uns idos 13 anos. Até hoje é um dos meus filmes favoritos, toda vez que assisto, eu choro da metade para o final.

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A história tem várias versões contadas e é conhecida principalmente através das cartas que os amantes trocavam. Pedro Abelardo (1079-1142) era um grande filósofo e teólogo, nasceu em Le Palais, filho de um pequeno nobre francês, o que o concedeu acesso aos estudos.  Em 1116, Abelardo já era o maior professor de Paris, lecionava na cátedra de Teologia e Dialética em Notre-Dame. Foi nessa época que conheceu Heloísa (1100-1164), mulher de inteligência notável, totalmente atípica para época: no medievo as mulheres podiam aspirar apenas o casamento ou carreira religiosa. Pouco se sabe como Heloísa se formou como livre pensadora com conhecimento superior até aos homens de sua época.

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As várias versões relatam que Abelardo e Heloísa se amaram a primeira vista, a cena do filme é lindíssima, mas vou deixar para quem for assistir descobrir. Há quem diga que Heloísa já conhecia a fama de Abelardo como grande mestre, mas que sem sucesso tentava encontrá-lo pessoalmente. Fato é que os dois se conheceram, Abelardo tornou-se tutor de Heloísa, e eles se apaixonaram irremediavelmente, muito por causa do amor que os dois dedicavam ao conhecimento.

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A situação entretanto, não era tão simples. Na Idade Média, filósofos e professores eram celibatários, o que se tornou um conflito para os dois tomados por um sentimento totalmente fora dos padrões da época. Além disso, as mulheres não tinham autonomia, o que tornava Heloísa, propriedade de seu tio e responsável por ela, que pretendia fazer de seu casamento um bom negócio.

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 Como vocês devem imaginar, Abelardo e Heloísa acabaram ficando inevitavelmente juntos… pensem em duas pessoas se amando tanto e estando juntas sempre… pois é! Mas esse amor nada ortodoxo começou a despertar rumores, dada a fama da figura de Abelardo e as tradições medievais. Aí que o problema começou.

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No filme, uma de minhas cenas favoritas, é quando os dois, ainda juntos, felizes e apaixonados, passeiam pelos arredores do Rio Sena, e Heloísa corre para pegar uma pena de pombo, segundo ela, símbolo do amor. E ela diz a Abelardo que aquela seria sua relíquia sagrada, porque ela nunca poderia ser mais feliz do que já era naquele momento. Eu não sei vocês, mas essa plenitude de amor me intriga e me emociona muito… imaginem como é, estar com alguém e ter a consciência que se está vivendo um momento de felicidade plena?

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Mas como muito sabiamente, Jesus já havia dito, que “a felicidade não é desse mundo”, e como sabemos que nada dura para sempre… as coisas complicaram quando Heloísa ficou grávida, e teve que fugir e se esconder a ira de seu tio. Abelardo a alojou na casa de sua irmã, onde ela viveu alguns anos com o bebê. Alguns contam que os dois se casaram escondido, para que ela pudesse se livrar do jugo do tio. Outros contam, que como mulher à frente do seu tempo, Heloísa não aceitou se casar, para que Abelardo prosseguisse com sua carreira de professor.  A maior tragédia dos dois, foi a castração de Abelardo, contratada por Fulbert, tio de Heloísa.

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Traumatizado com o ocorrido, e considerando um castigo pelo seu “desvio” Abelardo resolve seguir carreira de padre, e sugere que Heloísa siga também carreira religiosa, uma vez que não tinha família ou amigos.

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E assim, a vida dos dois toma rumos diferentes. Alguns contam que deprimidos, os dois nunca mais se viram, outras versões, dizem que eles se encontraram mais vezes mas nunca mais se falaram, apenas trocaram cartas. No filme, Heloísa diz ao seu amado, que seria uma freira, mas não por amor a Deus, e sim para poder vê-lo de quando em quando, e poder beijar sua mão [essa história é corroborada por uma das cartas de Heloísa, onde ela confessa amar a Abelardo acima de qualquer coisa e somente cumprir as obrigações religiosas como prova de amor ao seu amante terreno, que lhe houvera pedido para entrar em um convento].  De qualquer forma, as cartas existem, e dão notícias do acontecido…

 

“Fujo para longe de ti,
evitando-te como a um inimigo,
mas incessantemente
te procuro em meu pensamento.
Trago tua imagem em minha memória
e assim me traio e contradigo,
eu te odeio, eu te amo.”
Carta de Abelardo a Heloísa.

 

“É certo que quanto maior é a
causa da dor, maior se faz
a necessidade de para ela
encontrar consolo, e este
ninguém pode me dar, além de ti.
Tu és a causa de minha pena,
e só tu podes me proporcionar conforto.
Só tu tens o poder de me entristecer,
de me fazer feliz ou trazer consolo.”
Carta de Heloísa a Abelardo

O que mais mexe comigo nessa história, e que me deixa inconsolável quando assisto ao filme, é o fato de se encontrar o seu grande amor, um relacionamento perfeito, a raridade de se sentir complementado pelo outro, e não poder vivê-lo. Ver a vida toda passar, amar somente àquela pessoa, e nunca mais a ver. Na versão cinematográfica, após anos e anos, eles se encontram, com a mesma emoção do passado, as mesmas declarações de um amor que não morre, e Abelardo então faz um pedido final à sua amada, que eles pudessem ao menos serem enterrados juntos.

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Abelardo e Heloísa estão enterrados juntos no Pére Lachaise, em Paris. Até hoje, amantes visitam seu túmulo e lhes deixam flores…

 

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E para aqueles que acreditam, que a vida não acaba no túmulo. No século XIX publicaram um artigo na Revista Espírita de Maio de 1858, da qual destaco um breve trecho:

“Desejo ardentemente, senhor, um esclarecimento sobre esta teoria das  metades eternas e sentir-me-ia feliz se tivesse uma explicação sobre o assunto num dos vossos próximos números..   Interrogados sobre a matéria, Abelardo e Heloísa nos deram as respostas  seguintes:
      — Você e Heloísa formam, desde a origem, duas almas perfeitamente      distintas?
      — Sim.
      — Ainda agora são duas almas distintas?
      — Sim, mas sempre unidas.


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