Flores…

“Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!”

 – Machado de Assis

 

Inspirada na sugestão de um amigo, de criar um post sobre rosas, me ocorreu a ideia desse texto. Já faz um tempo, que em todo lugar que visito, dou uma atenção especial às flores, sempre trago fotografadas as mais belas que encontro.  Acredito que elas nos mostram o lado mais sutil da natureza do lugar visitado…

Flores da Serra Gaúcha

Flores da Serra Gaúcha

Em Gramado – RS, tudo são flores! Tem flor de todo jeito, pra todo lado. Mas o símbolo da cidade são as hortências, todas praças, ruas, avenidas, espaços públicos são adornados com o azul dessas flores… vale a pena ver! Mas o que mais me agradou foram os “amores-prefeitos”! Uma de minhas flores preferidas, e raríssimas em Minas… fotografei todas que vi por lá…

Flores da Serra do Cipó

Flores da Serra do Cipó

 
A Serra do Cipó – MG é famosa por muitos atrativos, um deles é a diversidade de fauna e flora. O cerrado é riquíssimo em espécies de flores, e arbustos, e nesse lugar em especial há um fenômeno muito interessante: espécies endêmicas… não existem em nenhum outro lugar do mundo! Adentrando-se ao parque passamos por sucessivos campos de flores, de várias cores, é maravilhoso! Uma planta típica da região é a “Pepalantus”, eu tive oportunidade de fotografar uma em 2000:

Pepalantus - Lapinha de Santana

Pepalantus - Lapinha de Santana

Mas a planta mais impressionante que vi, foi no meu bairro mesmo… um Ipê amarelo, gigantesco, que parecia mais um enorme buquê! Esse também eu tive oportunidade de retratar, em 2006:

Ipê Amarelo

Ipê Amarelo

As pessoas atribuem significados a cada tipo de flor, eu não nego que um simbolismo foi criado ao redor de várias delas, como o Lírio, que há muito tempo é simbolo da pureza. Algumas ficaram até mesmo estigmatizadas pelo seu uso, como o “cravo de defunto”, outras são imponentes e já despertam com sua imagem emoções semelhantes em todos, como o Girassol que sempre alegra o ambiente.

Mas em geral, eu não me ligo tanto aos significados… acho que cada ser humano, com sua história, com sua própria colcha de retalhos, vai construindo sua sensibilidade, e é tocado – sem ao menos saber o porquê – por imagens, cheiros, sons diferentes. Com as flores é assim também, cada um tem sua preferência. É claro que as rosas são quase unanimidade, são as flores mais cultivadas e apreciadas… são as mais utilizadas como presente. Por isso merecem um destaque especial.

Rosa amarela - por Cleide Sousa

Rosa amarela - por Cleide Sousa

 Estima-se que a primeira rosa tenha nascido na Antiguidade, nos jardins asiáticos, mas a espécie selvagem foi encontrada em fósseis que datam de cerca de 35 milhões de anos atrás.

Rosa lilás

Rosa lilás

Do gênero Rosa, com centenas de espécies, pertence à família das rosáceas e se apresenta sob numerosas variedades com grande distribuição geográfica. Nascem em arbustos, ou trepadeiras, com hastes espinhosas.

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Os espinhos das rosas, não são espinhos verdadeiros, são acúleos, uma modificação no caule que facilmente é destacada do mesmo. Sua função é a proteção das flores – órgãos reprodutores da planta.

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As rosas e outras flores sempre inspiraram os artistas, poetas, músicos e pessoas comuns… para mim muitas vezes as flores são um lembrete da delicadeza artística de Deus, que pensou em cada detalhe… o acaso não inventaria tanta ordem e perfeição. Então, as flores só podem ser um recado do Criador, porque muitas vezes, elas nos fazem felizes só por terem desabrochado, por enfeitarem silenciosamente nossos caminhos.

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Para encerrar, vou usar um texto muito inspirado do Padre Fábio de Melo – que coincidentemente encontrei pesquisando para esse post – como filósofo de uma sensibilidade infinita, aliada à uma generosa simplicidade, soube muito bem falar do tema em questão…

Rosas vermelhas - por Cleide Sousa

Rosas vermelhas - por Cleide Sousa

“SOBRE O AMOR, ROSAS E ESPINHOS…

Amor que é amor dura a vida inteira. Se não durou é porque nunca foi amor.

O amor resiste à distância, ao silêncio das separações e até às traições. Sem perdão não há amor. Diga-me quem você mais perdoou na vida, e eu então saberei dizer quem você mais amou.

O amor é equação onde prevalece a multiplicação do perdão. Você o percebe no momento em que o outro fez tudo errado, e mesmo assim você olha nos olhos dele e diz: “Mesmo fazendo tudo errado eu não sei viver sem você. Eu não posso ser nem a metade do que sou se você não estiver por perto.”

O amor nos possibilita enxergar lugares do nosso coração que sozinhos jamais poderíamos enxergar.

O poeta soube traduzir bem quando disse: “Se eu não te amasse tanto assim, talvez perdesse os sonhos dentro de mim e vivesse na escuridão. Se eu não te amasse tanto assim talvez não visse flores por onde eu vi, dentro do meu coração!”

Bonito isso. Enxergar sonhos que antes eu não saberia ver sozinho. Enxergar só porque o outro me emprestou os olhos , socorreu-me em minha cegueira. Eu possuia e não sabia. O outro me apontou, me deu a chave, me entregou a senha.

Coisas que Jesus fazia o tempo todo. Apontava jardins secretos em aparentes desertos.

Na aridez do coração de Madalena, Jesus encontrou orquídeas preciosas. Fez vê-las e chamou a atenção para a necessidade de cultivá-las.

Fico pensando que evangelizar talvez seja isso: descobrir jardins em lugares que consideramos impróprios.

Os jardineiros sabem disso. Amam as flores e por isso cuidam de cada detalhe, porque sabem que não há amor fora da experiência do cuidado. A cada dia, o jardineiro perdoa as suas roseiras. Sabe identificar que a ausência de flores não significa a morte absoluta, mas o repouso do preparo. Quem não souber viver o silêncio da preparação não terá o que florir depois…

Precisamos aprender isso. Olhar para aquele que nos magoou, e descobrir que as roseiras não dão flores fora do tempo, nem tampouco fora do cultivo.

Se não há flores, talvez seja porque ainda não tenha chegado a hora de florir. Cada roseira tem seu estatuto, suas regras…

Se não há flores, talvez seja porque até então ninguém tenha dado a atenção necessária para o cultivo daquela roseira.

A vida requer cuidado. Os amores também. Flores e espinhos são belezas que se dão juntas. Não queira uma só. Elas não sabem viver sozinhas…

Quem quiser levar a rosa para sua vida, terá que saber que com ela vão inúmeros espinhos.

Mas não se preocupe. A beleza da rosa vale o incômodo dos espinhos.”

 

 

 

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5 Respostas to “Flores…”

  1. Josi Says:

    Aqui em João Pessoa tem muito Ipês… e não só amarelos… são lindos!!!

    Ah, e eu amo os textos do Pe Fábio. Ele sempre fala coisas belíssimas!

  2. Tatiana Roberta de Souza Says:

    Oi Cleide! Suas fotos são lindas! Você fez curso de fotografia? Ah, o texto também é muito bonito.

    • cleidescully Says:

      Tati, não fiz curso de fotografia, gostaria muito de fazer, ainda não deu. Eu gosto muito das artes visuais em geral, acho que meu gosto por pinturas aguçou o meu olhar para fotografar…

  3. Vera Lúcia de Oliveira Says:

    Gosto muito de todos os temas de reflexão do Pe.Fábio de Melo, e tem um muito especial – Colcha de Retalhos que extrai da Revista Ir ao Povo-agosto/2008. Algumas partes deste texto foi usado como mensagem de aniversario e depois como mensagem em convite de aniversario de 80 anos de uma pessoa amiga minha.Todos gostaram.A nossa vida é realmente como uma colcha de Retalhos. Cada dia colocamos ali um pedaço daquilo que vivenciamos e assim vai indo até encerrar a colcha.Eu guardo a revista até hoje. E todos os temas reflexivos do Pe.Fábio eu os aprecio muito. Grande sacerdote, tão novo ainda, e já trazendo tantas coisas boas para nós e principalmente aos mais jovens, que hoje vivem rodeados de tantos laços satânicos e coisas perversas do mundo.Continue assim.Pe.Fábio, uma benção para todos nós. Vera Lúcia


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