Minha prima me disse no fim de 2007: “Cleide, ano que vem é ano de arredondamento pra nós não é mesmo?” - (eu fiz 30 e ela 40) ela disse que anos de arredondamentos são poderosos, acontecem coisas importantes. Fiquei pensando na mágica e sabedoria disso, pensei: “será possível?”
Não lembro exatamente como foi o meu décimo ano, mas me lembro que o vigésimo foi um ano decisivo: foi o ano que tirei carteira, foi o ano que passei no vestibular, e foi também em 1998 que, depois de tanto questionar minha fé e convicções, e ler de tudo que me caiu em mãos, decidi ser espírita, coisas que alteraram o rumo da minha vida pra melhor.
2008, o ano dos 30… confesso que temia esse ano, ouvia falar da famosa “crise dos 30″ que assola as mulheres solteiras da minha idade e pensava… o que será de mim se não tiver casado ainda? Se não tiver grana ainda? Se não tiver conhecido Paris? Mas o legal, é que apesar de que nem todas essas coisas tenham se concretizado ainda, outras aconteceram, e os 30 me encontraram muito bem! Graças a Deus!
Não foi um ano de muitas paixões, infelizmente… porque paixão tempera a vida, mas foi um ano de consolidações, afirmação de aspectos importantes e o melhor: muitos novos amigos (além da manutenção dos antigos!) e por fim, foi ano de relembrar coisas boas que eu tinha esquecido.
Nesse último quesito, foi divertido demais ter assistido todas as temporadas de Arquivo X . Quem me conhece há tempo sabe que AMO a série, e a considero insuperável em todos os aspectos no que diz respeito a seriados de TV, e olha que eu amo seriados.
Lembro-me de ter descoberto Arquivo X por acaso mudando de canal na TV aberta, em meados de 1996, e de ter virado minha paixão incondicional: colecionei episódios, revistas, fotos, sites. A série reunia tudo que eu gosto: mistério, ciência, histórias inteligentes no meio de tudo isso uma história de amor inconfessável entre os dois agentes do FBI, protagonistas da história.

The X Files
Fiz muitas amizades na época, assisti ao The X Files – Fight the Future – no cinema em 1998 no dia da estréia, mas com o tempo e a correria da vida, e o fim da série em 2002, fui assistindo cada vez menos, guardando minhas boas e velhas VHS.

Promos da Série
Mas esse ano aconteceu o que todos os fãs do planeta nem imaginavam, e já tinham perdido a esperança: Mais um filme de Arquivo X no cinema, veríamos qual foi o destino de Mulder e Scully seis anos depois de tudo que passaram, retornaríamos àquele universo de conspiração e suspense… não foi sem surpresa que vi as propagandas irem surgindo de todos cantos do planeta…

Propaganda de XF2 no mundo
The X Files – I Want to Believe, reacendeu a chama do prazer que eu tinha em acompanhar a série na minha adolescência, e junto a isso me trouxe dezenas de novos amigos, conversas divertidíssimas em fóruns na internet, a oportunidade de interagir com meu ídolo daqueles tempos: David Duchovny em seu blog . Foi tudo muito legal, e confesso que deu leveza a um ano de muito trabalho.
O milagre da tecnologia permitiu até que eu e minhas amigas virtuais, cada uma em um canto do Brasil, passássemos a produzir juntas um “episode guide” da série: http://arquivoxepisodes.blogspot.com, outra experiência que tem sido interessantíssima e que sempre desajava fazer, mas era difícil sem colaboração. Permitiu também que pela primeira vez na vida, participasse de um amigo oculto virtual: ganhei um presente que veio do Rio e enviei um para Manaus!
Em 2008 conheci o médico mais mal humorado e charmoso da história da televisão: Dr. House. Certamente ele me garantiu boas risadas mas também lágrimas, e muito aprendizado – sobre as observações científicas da série, mas especialmente sobre as relações humanas, tão bem retratadas no programa, entre o doutor antisocial e sua equipe, seu melhor amigo e sua poderosíssima chefe: Lisa Cuddy. Mas outra hora dessas eu conto melhor para vocês das lições dessa série e as aventuras do Dr Enxaqueca… por enquanto posso dizer que fiz ótimas amigas pela internet, também fãs de House, e recebi mais de 20 cartões de natal, o que foi um presente muito bacana. Fechei 2008 com chave de ouro!

House - o Dr. Enxaqueca!
Como disse inicialmente, 2008 foi ano de consolidação de alguns aspectos de minha vida. Um importante foi o Yoga – depois de praticar Hatha Yoga por 5 anos, comecei a me formar como professora. A cada dia me apaixono mais profundamente por essa sabedoria milenar da Índia, e cada vez tenho mais admiração por esse instrumento que Deus nos deu que é nosso corpo e como é incrível o que as técnicas do yoga podem fazer por ele: saúde, lucidez, maleabilidade são apenas algumas das vantagens, sem contar nos benefícios espirituais que são o objetivo principal de todas as suas modalidades.

Hatha Yoga
Pelo que se pode notar, as amizades foram o grande presente em minha vida em 2008, com os amigos antigos, tive oportunidade de empreender projetos juntos, o que nos aproxima ainda mais, e isso tem me trazido grandes aprendizados, e os amigos novos, de perto e de longe, trazem um novo colorido à vida, porque uma pessoa nova que conhecemos é um micro universo de milhares de coisas que ainda não sabíamos.
Por fim, 2008 foi o ano que realizei a pesquisa de campo do meu mestrado, que me colocou em contato com algo que eu amo, uma das coisas que dá sentido à minha vida: a arte! Pude estudar sobre arte, discutí-la e visitar espaços na minha cidade dedicados a ela. Visitei o MASP em São Paulo e vi pessoalmente (pela primeira vez na minha vida) quadro de pintores, que para mim eram como amigos de longa data: Monet, Portinari, Cezzane, Van Gogh entre tantos outros tão queridos quanto!
E você, o que 2008 te ensinou? Conta pra mim?